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Descanso semestral

02/06/2007

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Descanso semestral


Em vez de 30 dias corridos, que tal parar duas vezes no ano por períodos de 15 dias? Há vantagens para o corpo e a carreira

Quem acha que para ser executivo deve obedecer à premissa de nunca tirar férias, está muito enganado. Profissional responsável tira seu merecido período de descanso todo ano. É o que revela uma pesquisa recente da revista EXAME, publicada pela Editora Abril. O levantamento feito com 500 executivos revela que 65% do entrevistados tiram férias todo ano. Mas aqui há um detalhe importante. Em vez de usar os 30 dias permitidos por lei de uma tacada só, a maioria divide as férias em dois períodos de 15 dias. A questão é: dá para descansar a cabeça e o corpo tirando apenas uma quinzena de folga por semestre?

Não só dá como faz bem para a saúde e para a carreira. "Três ou quatro dias é o tempo que o organismo precisa para desacelerar a produção dos hormônios que agem preparando-o para reagir às agressões emocionais e físicas que o estresse provoca , diz Paulo Zogaib, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Daí aquela sensação, nos primeiros dias, de que ainda não deu para descansar, mas que tende a ir embora à medida que o individuo pára de pensar no trabalho." Esse é o segredo de tirar 15 dias bem tirados.

O também fisiologista Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega, membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME), explica que o problema não é o tempo de ausência física do escritório, mas o de ausência psicológica. "Do ponto de vista fisiológico, 15 dias são suficientes para se manter desligado da empresa", diz ele. "O que não pode acontecer é esquecer que corpo e cabeça são uma coisa só e que não adianta se ausentar do escritório e manter as preocupações de sempre."

Se você quiser experimentar dividir suas férias em duas partes iguais, saiba ainda que 15 dias são ideais para evitar o estresse pré e a depressão pós-férias. `As férias longas causam uma quebra brusca na rotina que deixa o profissional perdido depois de tanto tempo afastado das questões de trabalho", afirma Marilda Lipp, diretora fundadora do Centro Psicológico de Controle do Estresse, em São Paulo. "Da mesma forma, é comum ver o profissional apertando o passo antes de sair para deixar tudo pronto ou adiantado, sofrendo assim uma tensão pré-férias."

Ë o que pensa o paulista José Otávio Marfará, de 47 anos, presidente da Reebok Sports Club no Brasil. Sem conseguir sair por períodos prolongados por causa do cargo, há 20 anos José adota o estilo de dividir suas férias em dois períodos de 15 dias, tomando o cuidado de conciliar a folga com a dos filhos. "Um mês é muito tempo para a pessoa se ausentar do trabalho, correndo o risco de perder o controle das atividades", afirma o executivo. José Otávio costuma fazer um planejamento antes das férias, organizando as tarefas e delegando as atividades para sua equipe. "Com isso, não corro o risco de ficar preocupado com pendências durante a folga", diz.

Para completar o período de folga do escritório, ele nunca volta imediatamente para o trabalho após as viagens de férias - espera um ou dois dias para retornar ao batente. "Da mesma forma que demoro 48 horas para começar a descansar, preciso de 24 horas para voltar ao ritmo", diz.

Além dos ganhos psicológicos que as férias curtas proporcionam, os profissionais e especialistas acreditam que a ausência menor no trabalho pode significar comprometimento, causando uma boa impressão para o chefe e para a equipe. "Optar pela folga reduzida é uma demonstração de responsabilidade com o trabalho, principalmente em um hotel, onde é quase impossível sair por um mês", diz o paulista Carlos Bernardo, de 43 anos, gerente-geral do Novotel Jaraguá, de São Paulo. O paulista Márcio Bern, de 33 anos, gerente comercial da Plugin, empresa de hospedagem de sites em Porto Alegre, concorda com a tese de Carlos. Ele também passou a dividir suas férias para conciliar com a dos filhos e só vê vantagens nisso. "Dá para investir na família, desacelerar e voltar com os assuntos ainda frescos na cabeça", diz. "Além de evitar a caixa postal do e-mail cheia de mensagens novas."


Fonte:Você S/A 18/4/2007

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